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Infidelidade: físico para eles, emocional para elas

Um estudo sobre o comportamento sexual dos portugueses mostra que a infidelidade não implica apenas uma questão de desejo e é também influenciada pelo grau de compromisso numa relação.

Enquanto os homens procuram sobretudo sexo casual, as mulheres são mais propensas a querer conhecer pessoas novas. Mais, a infidelidade sexual está particularmente associada a um menor compromisso na relação, sendo que quem tem traições no currículo mais facilmente vê determinadas situações — como mentir ou omitir informação — como não sendo indicadores de infidelidade, ao contrário de quem nunca traiu.

Essas e outras conclusões fazem parte de um estudo encabeçado por investigadores portugueses do Instituto Universitário de Lisboa e da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. A investigação surge na sequência de um pós-doutoramento sobre o comportamento sexual dos portugueses.

O estudo em questão, já publicado na revista científica internacional Journal of Sex Research, envolveu 252 pessoas (51 mulheres e 201 homens), com uma média de 40 anos e que, apesar de estarem envolvidas romanticamente, registaram-se num site de encontros orientado para indivíduos comprometidos e interessados em ter encontros sexuais ou virtuais com desconhecidos, o site Victoria Milan.

A pesquisa teve como objetivo cruzar a sociosexualidade dos indivíduos — entenda-se a disposição para o sexo casual, sem ligação afetiva — com o seu compromisso nas relações. Uma das principais conclusões é, então, o facto de a maior propensão para o sexo casual não ser, por si só, uma condição suficiente para que haja infidelidade. Os resultados mostraram que a traição está associada não apenas ao desejo, mas também a um menor compromisso no relacionamento.

Indivíduos com antecedentes de traição — por serem menos comprometidos nas relações — perceberam comportamentos ambíguos (como conversar online com outras pessoas) ou enganadores (como omitir informação ou mentir) como não sendo indicadores de infidelidade, ao contrário de quem nunca traiu.

Mas com ou sem traição de caráter sexual, os participantes foram unânimes ao entender que ter encontros ou fazer sexo oral é mais indicativo de infidelidade. Acrescente-se que quem traiu no passado apresenta uma visão maleável da infidelidade, “na tentativa de lidar com o seu próprio comportamento, legitimando-o para enfrentar potenciais consequências”, lê-se em nota de imprensa.

Considerando a amostra do estudo, os autores conseguiram ainda perceber que, enquanto os homens procuram sobretudo sexo casual, as mulheres querem conhecer outras pessoas. A situação descrita entra em concordância com outros estudos que mostram que os homens são mais propensos a escolherem a via da infidelidade sexual, enquanto a infidelidade feminina está mais associada à ligação emocional.

Com base nos resultados obtidos, as pessoas que usam o Victoria Milan em Portugal estão numa faixa etária à volta dos 40 anos e casadas. Ainda que a maioria da nossa amostra tenha sido constituída por homens, não se verificaram diferenças entre homens e mulheres num conjunto de variáveis, tais como estatuto da relação, filhos, religião ou escolaridade. Encontraram-se, sim, diferenças ao nível das razões apontadas para se inscreverem no site. Isto pode refletir, por um lado, o facto de homens e mulheres se diferenciarem em termos de comportamento sexual transmitido por normas e papéis sociais, ou por outro lado o facto de que os homens tendem a ser sexualmente infiéis enquanto as mulheres tendem a ser emocionalmente infiéis.

No entanto, “o facto de a maior parte das mulheres indicar querer conhecer outras pessoas não implica necessariamente que desconsiderem o sexo casual”, lê-se no estudo. É que, mais uma vez, os autores não encontraram diferenças significativas face à incidência infidelidade sexual entre homens e mulheres.